quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Preciso de um scanner =\

A persistencia dos sonhos.

Morfeus Gabor, gerente do hotel Luxor, tem um sério problema para resolver.
MG – As reclamações começaram pouco depois do hotel abrir.
          Os clientes queixavam-se que sonhavam sonhos que não eram seus.
          Por vezes eram mesmo sonhos em línguas desconhecidas.
D –    E nem sequer tinham legendas?
MG – Creio que não.
D –    Ah.
MG – Levei algum tempo até compreender o que se passava.
         Um dia, um representante de casa flutuantes reclamou que passara a noite num sonho agitadíssimo envolvendo positrões, neutrinos, mesões… Tudo coisas que lhe eram totalmente estranhas.
         Lembrei-me então que na noite anterior o quarto fora ocupado pelo professor Wolfsburg, um reputado astrofísico.
D –    Ah sim.
MG – Consultando os registos logo identifiquei dezenas de casos análogos.
          A conclusão parece óbvia.
          Os sonhos da noite anterior deixam resíduos que contaminam os sonhos do ocupante da noite seguinte.
D –    Experimentou mudar o papel de parede?
MG – Foi a primeira coisa que fiz. E pintei o tecto três vezes, com tintas diferentes de cada vez.
D –    E então?
MG – O problema manteve-se. A única solução eficaz é a que emprego agora.
          Lavagem completa dos tectos e paredes entre dormidas.
D –    Vou revelar-lhe um segredo: Os meus sonhos são de uma banalidade confrangedora. Meras reposições de fragmentos do quotidiano, um remoer de preocupações comezinhas.
          E para mais a cor é péssima.
          Prepare-me uma quarto… Sem lavagem.

José Carlos Fernandes, A Pior Banda do Mundo
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